Brasil - Brasília - Distrito Federal - 10 de janeiro de 2025
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Ações da Alpargatas se recuperam e disparam 3% após tombo por boicote da direita à Havaianas

Comercial da Havaianas com Fernanda Torres divide direita e esquerda

Informe Publicitário

TAMARA NASSIF, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As ações da Alpargatas, dona da Havaianas, estão em forte alta nesta terça-feira (23), um dia depois de tombarem em meio à polêmica envolvendo a última campanha publicitária da marca de chinelos.

Às 15h, os papéis disparavam 3,5%, cotados a R$ 11,85. Na véspera, haviam caído 2,4% por causa da possibilidade do boicote –inflamado por políticos de direita nas redes sociais– afetar o faturamento da Havaianas, em uma época do ano já tradicionalmente marcada por baixa liquidez nos mercados.

O avanço desta terça se soma à alta acumulada de mais de 80% dos papéis neste ano, reflexo de um reestruturação na marca que alavancou resultados corporativos nos últimos trimestres.

A campanha publicitária em questão, estrelada por Fernanda Torres, gerou críticas de apoiadores da direita após a atriz afirmar que não deseja que o público comece 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”.

A frase foi interpretada por políticos e influenciadores como uma mensagem de cunho político, considerando que o próximo ano será de eleições presidenciais. Entre os que se manifestaram estão o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram o conteúdo da propaganda a uma suposta posição ideológica da marca.

Procurada pela Folha, a Havaianas não se pronunciou.

A recuperação da Alpargatas na Bolsa reverteu as perdas da véspera. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirmou que o impacto de fato seria de curto prazo.

“Já vimos isso acontecer outras vezes com empresas que tiveram alguma exposição nesse sentido, e de ambos os lados do espectro político, como Smartfit, Madero, Magazine Luiza, JBS… Para a empresa ser afetada porque se envolveu com alguma polêmica política teria que ser algo muito maior”, diz.

Ele acrescentou ainda que a companhia “deu azar” de enfrentar uma polêmica em um momento de baixa liquidez no mercado. “Uma notícia negativa nesses momentos causa uma oscilação maior, mas é difícil ver isso se estendendo por muito tempo.”
Fora das redes e das mesas de operação, porém, a polêmica virou pauta no varejo. A loja Calçados Guarani, de Brusque (SC), esgotou em poucas horas o estoque de chinelos da marca após colocar os pares à venda por R$ 1.

Em publicação feita em seus perfis oficiais, a Calçados Guarani afirmou que suas três lojas venderiam todos os pares da Havaianas por R$ 1 enquanto durasse o estoque. “Não vamos mais trabalhar com a marca por tempo indeterminado, devido à provocação da marca com a população conservadora, na qual fazemos parte!”, disse a loja, em comunicado publicado no Instagram.

Loja boicota Havaianas e vende pares por R$ 1

JÚLIA GALVÃO, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A polêmica em torno da campanha publicitária da Havaianas chegou ao varejo. A loja Calçados Guarani, de Brusque (SC), esgotou em poucas horas o estoque de chinelos da marca após colocar os pares à venda por R$ 1, em meio a um movimento de boicote impulsionado por apoiadores da direita nas redes sociais.

Em publicação feita em seus perfis oficiais, a Calçados Guarani afirmou que suas três lojas venderiam todos os pares da Havaianas por R$ 1 enquanto durasse o estoque. “Não vamos mais trabalhar com a marca por tempo indeterminado, devido à provocação da marca com a população conservadora, na qual fazemos parte!”, disse a loja, em comunicado publicado no Instagram.

A reação ocorreu após a divulgação de um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres, no qual uma frase sobre não começar 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”, foi interpretada por políticos e influenciadores como uma mensagem de cunho político.

Em outra postagem, a empresa anunciou modelos de chinelos e sandálias de outras marcas. “Comece 2026 com o Pé Direito! Trabalhamos com chinelos adultos e infantis de diversas marcas”, escreveu a loja.

Nos comentários, consumidores que tentaram realizar a compra e não conseguiram reclamaram de ter ido até o estabelecimento e não encontrar mais produtos da Havaianas disponíveis.

Outros consumidores questionaram a eficácia do boicote. “Não sei onde está o protesto, se vocês vão colocar a marca no pé de todos por um preço camarada”, escreveu um usuário nos comentários.

Entre domingo (21) e esta segunda-feira (22), a campanha da Havaianas também gerou reações de políticos do espectro da direita. Entre os que se manifestaram estão o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram o conteúdo da propaganda a uma suposta posição ideológica da marca.

A repercussão extrapolou as redes sociais e chegou ao mercado financeiro. A Alpargatas, dona da Havaianas, registrou forte queda no pregão da B3 nesta segunda-feira (22), em meio à polêmica envolvendo a campanha publicitária.

Os papéis da companhia recuaram 2,4%, passando a ser cotados a R$ 11,44, o que resultou em uma perda de R$ 152 milhões em valor de mercado, segundo a consultoria Elos Ayta. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 0,21%.

A principal concorrente da marca, a Ipanema, também foi impactada pela repercussão. Segundo o site InsTrack, que monitora estatísticas do Instagram, o perfil @sandaliasipanema saltou de 510 mil seguidores no sábado (20) para 1 milhão na tarde da última segunda -um aumento de mais de 490 mil seguidores. A página passou a receber comentários de apoiadores da direita, muitos deles afirmando que pretendem trocar de marca.

Nos comentários das publicações, alguns usuários cobraram que a Ipanema aproveitasse a polêmica para lançar campanhas de marketing. Até o momento, a empresa não fez referência pública ao episódio.

Apesar de boicote, Havaianas ganha 150 mil seguidores em 48 horas

LUÍSA MONTE, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O novo comercial estrelado por Fernanda Torres, 60, para a Havaianas virou alvo de críticas de políticos e apoiadores da direita. Desde o último domingo (21), o grupo levanta um boicote à marca. Mesmo assim, o perfil das sandálias conseguiu ganhar mais de 150 mil novos seguidores nas últimas 48 horas.

Segundo a plataforma InsTrack, que monitora estatísticas de páginas no Instagram, o perfil da Havaianas chegou a perder 4.606 seguidores no domingo, mas os recuperou na segunda. Foram 152.359 novos seguidores até às 22h desta segunda, de acordo com a plataforma.

O Social Blade, outro site de monitoramento de redes sociais, marcou que a Havaianas perdeu 3,416 seguidores no domingo e ganhou 154.000 na segunda-feira, até às 22h. A marca foi de 4 milhões no sábado (20) para 4,2 milhões na segunda-feira.

Ainda assim, o perfil das sandálias Ipanema, principal concorrente, teve crescimento maior, impulsionado por políticos como o senador Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Segundo o site InsTrack o @sandaliasipanema saiu de 510 mil seguidores no sábado (20) para 1 milhão na tarde desta segunda-feira (22).

Apesar do crescimento nas redes sociais, a Alpargatas, empresa dona dos chinelos Havaianas, enfrentou perdas na bolsa de valores nesta segunda-feira (22). Um tombo de 2,4% nos papéis, agora cotados a R$ 11,44, levou à perda de R$ 152 milhões em valor de mercado da empresa, segundo a consultoria Elos Ayta.

No comercial, Fernanda Torres pede que os espectadores não comecem o ano com o “pé direito”, esperando sorte, mas façam eles mesmos seus caminhos. “O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser”, completa a atriz.

A partir da exibição da propaganda nas redes sociais, apoiadores da direita passaram a criticar um suposto viés político na campanha. A Havaianas, assim como Fernanda Torres, não comentaram a polêmica.

Alpargatas perde R$ 150 mi na Bolsa após propaganda com Fernanda Torres gerar boicote bolsonarista

JÚLIA GALVÃO, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Alpargatas, dona dos chinelos Havaianas, enfrentou uma sessão de fortes perdas no pregão da B3 desta segunda-feira (22) em meio à polêmica envolvendo a última campanha publicitária da companhia.

O tombo de 2,4% nos papéis, agora cotados a R$ 11,44, levou à perda de R$ 152 milhões em valor de mercado da empresa, segundo a consultoria Elos Ayta.

A campanha estrelada pela atriz Fernanda Torres passou a ser alvo de críticas de apoiadores da direita nas redes sociais. A reação se concentrou em um trecho do comercial em que a atriz afirma não desejar que o público comece 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”.

A frase foi interpretada por políticos e influenciadores alinhados à direita como uma mensagem de cunho político. Entre os que se manifestaram estão o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram o conteúdo da propaganda a uma suposta posição ideológica da marca.

Procurada pela Folha, a Havaianas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Em vídeo publicado em seu Instagram, Eduardo Bolsonaro afirmou que achava que a Havaianas era um símbolo nacional. “Só que eu me enganei, eles escolheram para ser a garota-propaganda da sandália uma pessoa declaradamente de esquerda”, disse. Ele também criticou a frase da propaganda sobre não começar o ano com o pé direito, afirmando que “isso não foi por acaso”. Em seguida, ele joga os dois pés do chinelo no lixo.

No vídeo publicado nas redes, o ex-deputado ainda escreveu que “quem lacra não lucra”. A publicação já conta com mais de 5 milhões de visualizações e 600 mil curtidas.

O ex-deputado também relembrou o caso de 2023 da Bud Light, versão mais leve da Budweiser. Na ocasião, a influenciadora transgênero Dylan Mulvaney publicou um vídeo de publicidade com a marca, mostrando cervejas que recebeu com um desenho de seu próprio rosto estampado nas latas.

Em seguida, grupos conservadores iniciaram uma campanha de boicote acusando a cerveja de patrocinar pautas transgênero, de “zombar” de mulheres e de expor crianças à sexualidade. A polêmica derrubou as vendas da companhia e resultou na troca de dois executivos.

No X (ex-Twitter), Nikolas Ferreira comentou o caso. “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, disse.

O senador por Minas Gerais Cleitinho Azevedo (Republicanos) também publicou vídeos em suas redes sociais comentando a propaganda. Ele afirmou que o pedido para não começar o ano “com o pé direito” funcionaria como uma metáfora.

“A gente sabe o recado que a Havaianas quis deixar aqui, até porque o ano que vem é um ano eleitoral e o país tá extremamente polarizado. E quem ela contrata para poder fazer essa propaganda? Uma atriz que é declaradamente contra a direita, que faz várias entrevistas dizendo que é contra a direita, que subiu no trio elétrico agora para dizer que é contra anistia”, afirmou. A publicação é a mais visualizada entre os vídeos recentes do senador, com 2,8 milhões de visualizações e mais de 200 mil curtidas.

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, também publicou conteúdo sobre o caso. Em postagem nas redes sociais, afirmou que, neste verão, passaria a usar apenas chinelos da marca Ipanema, principal concorrente da Havaianas.

Apoiadores da direita também passaram a comentar publicações da Ipanema no Instagram. A postagem mais recente da marca soma mais de 614 mil curtidas, número superior ao registrado em publicações anteriores, que costumavam variar entre 10 mil e 30 mil curtidas. Nos comentários, usuários dizem que começarão 2026 “com o pé direito” usando Ipanema e pedem para que a marca aproveite a “oportunidade” para vender.

No campo da esquerda, as críticas feitas por grupos da direita também geraram reação. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) questionou nas redes sociais a tentativa de boicote à marca. “Como assim os bolsonaristas tão cancelando até as Havaianas? Será que não serve direito nos cascos deles?”, escreveu.

O vereador Pedro Rousseff (PT), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, também comentou o episódio. Em publicação no X, disse que apoiadores da direita passariam a usar tornozeleiras eletrônicas para deixar de usar chinelos da marca.

Além das manifestações de políticos, usuários passaram a compartilhar nas redes sociais imagens geradas por inteligência artificial e montagens de chinelos em formato de ferradura.

Com a proximidade do Natal, também surgiram comentários segundo os quais a repercussão negativa poderia, na prática, ampliar a visibilidade da marca, além de brincadeiras sobre presentear familiares alinhados à direita com produtos da Havaianas.

Comercial dos chinelos Havaianas com Fernanda Torres divide direita e esquerda

Uma campanha publicitária dos chinelos Havaianas estrelada pela atriz Fernanda Torres passou a ser alvo de críticas de apoiadores da direita nas redes sociais. A reação se concentrou em um trecho do comercial em que a atriz afirma não desejar que o público comece 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”.

A frase foi interpretada por políticos e influenciadores alinhados à direita como uma mensagem de cunho político. Entre os que se manifestaram estão o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram o conteúdo da propaganda a uma suposta posição ideológica da marca.

Procurada pela Folha de S.Paulo, a Havaianas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Em vídeo publicado em seu Instagram, Eduardo Bolsonaro afirmou que achava que a Havaianas era um símbolo nacional. “Só que eu me enganei, eles escolheram para ser a garota-propaganda da sandália uma pessoa declaradamente de esquerda”, disse. Ele também criticou a frase da propaganda sobre não começar o ano com o pé direito, afirmando que “isso não foi por acaso”. Em seguida, ele joga os dois pés do chinelo no lixo.

No vídeo publicado nas redes, o ex-deputado ainda escreveu que “quem lacra não lucra”. A publicação já conta com mais de 5 milhões de visualizações e 600 mil curtidas.

O ex-deputado também relembrou o caso de 2023 da Bud Light, versão mais leve da Budweiser. Na ocasião, a influenciadora transgênero Dylan Mulvaney publicou um vídeo de publicidade com a marca, mostrando cervejas que recebeu com um desenho de seu próprio rosto estampado nas latas.

Em seguida, grupos conservadores iniciaram uma campanha de boicote acusando a cerveja de patrocinar pautas transgênero, de “zombar” de mulheres e de expor crianças à sexualidade. A polêmica derrubou as vendas da companhia e resultou na troca de dois executivos.

No X (ex-Twitter), Nikolas Ferreira comentou o caso. “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, disse.

O senador por Minas Gerais Cleitinho Azevedo (Republicanos) também publicou vídeos em suas redes sociais comentando a propaganda. Ele afirmou que o pedido para não começar o ano “com o pé direito” funcionaria como uma metáfora.

“A gente sabe o recado que a Havaianas quis deixar aqui, até porque o ano que vem é um ano eleitoral e o país tá extremamente polarizado. E quem ela contrata para poder fazer essa propaganda? Uma atriz que é declaradamente contra a direita, que faz várias entrevistas dizendo que é contra a direita, que subiu no trio elétrico agora para dizer que é contra anistia”, afirmou. A publicação é a mais visualizada entre os vídeos recentes do senador, com 2,8 milhões de visualizações e mais de 200 mil curtidas.

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, também publicou conteúdo sobre o caso. Em postagem nas redes sociais, afirmou que, neste verão, passaria a usar apenas chinelos da marca Ipanema, principal concorrente da Havaianas.

Apoiadores da direita também passaram a comentar publicações da Ipanema no Instagram. A postagem mais recente da marca soma mais de 614 mil curtidas, número superior ao registrado em publicações anteriores, que costumavam variar entre 10 mil e 30 mil curtidas. Nos comentários, usuários dizem que começarão 2026 “com o pé direito” usando Ipanema e pedem para que a marca aproveite a “oportunidade” para vender.

No campo da esquerda, as críticas feitas por grupos da direita também geraram reação. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) questionou nas redes sociais a tentativa de boicote à marca. “Como assim os bolsonaristas tão cancelando até as Havaianas? Será que não serve direito nos cascos deles?”, escreveu.

O vereador Pedro Rousseff (PT), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, também comentou o episódio. Em publicação no X, disse que apoiadores da direita passariam a usar tornozeleiras eletrônicas para deixar de usar chinelos da marca.

Além das manifestações de políticos, usuários passaram a compartilhar nas redes sociais imagens geradas por inteligência artificial e montagens de chinelos em formato de ferradura.

Com a proximidade do Natal, também surgiram comentários segundo os quais a repercussão negativa poderia, na prática, ampliar a visibilidade da marca, além de brincadeiras sobre presentear familiares alinhados à direita com produtos da Havaianas.

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