Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio, colocarão 210 cruzes nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, simbolizando cada uma das 111 mulheres assassinadas no estado em 2022 e as 99 mulheres assassinadas em 2023.
Há temas que atravessam governos, gestões e ciclos políticos sem nunca se estabilizar. A violência contra mulheres é um deles. Não por falta de leis ou campanhas, mas porque o país não conseguiu transformar essa agenda em algo contínuo e incorporado ao funcionamento das instituições.
Os números mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram a dimensão dessa permanência. Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios, o que significa quatro mulheres assassinadas por dia. Houve ainda 3.870 tentativas de feminicídio, mais de 51 mil casos de violência psicológica e quase 100 mil episódios de stalking. É um cenário que se repete ano após ano e revela o desgaste de respostas baseadas apenas em comoção ou em ações isoladas.
Esse ambiente é o ponto de partida da iniciativa da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Criada em 1940, a ABNT é responsável por padrões que estruturam setores como construção civil, energia, transporte e sistemas de gestão. Ao entrar no debate sobre violência contra mulheres, a entidade desloca o problema para um terreno em que o país costuma ter mais estabilidade: o da padronização.
Por Matheus Leitão – Revista Veja

