MARIANNA HOLANDA E JOSÉ MARQUES, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Ao passar por audiência de custódia neste domingo (23) na superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que tentou abrir a tornozeleira eletrônica na sexta-feira (21) porque teve uma “certa paranoia” devido ao uso de medicamentos e que só “caiu na razão” à meia-noite.
Após a audiência, uma juíza auxiliar do STF (Supremo Tribunal Federal) validou e manteve a prisão preventiva de Bolsonaro, cumprida pela PF no dia anterior após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
A ata da audiência diz que Bolsonaro afirmou que a paranoia aconteceu porque “tem tomado medicamentos receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (Pregabalina e Sertralina)”.
Segundo o ex-presidente, ele tem “sono picado” e não dorme direito, e resolveu mexer na tornozeleira com um ferro de soldar, “pois tem curso de operação desse tipo de equipamento”.
Ele disse que, ao voltar à razão, parou o uso da solda e comunicou aos agentes de custódia. O equipamento de solda, disse o ex-presidente, estava em sua casa.
“O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite”, diz a ata.
“Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação. O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião”, continua o documento.
Na audiência, Bolsonaro disse que começou a tomar um dos remédios cerca de quatro dias antes da sua prisão.
O ex-presidente negou que tenha tentado fugir. Segundo Bolsonaro, não havia qualquer intenção de fuga e não houve o rompimento da cinta da tornozeleira.
Ele disse que, em outra ocasião, teve que romper a cinta para fazer uma tomografia. Afirmou, também, que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, fica a 700 metros da sua casa e que não seria possível criar um tumulto que pudesse facilitar a fuga.
Bolsonaro disse também que a médica Marina Pasolini prescreveu Sertralina, um medicamento antidepressivo, sem comunicar os outros dois médicos que o monitoram. Não fica claro pelo depoimento se é este o medicamento que ele começou a tomar quatro dias antes da prisão.
Desde o início do ano, o ex-presidente mudou sua equipe médica, e é acompanhado principalmente pelo cirurgião geral Cláudio Birolini e o cardiologista Leandro Echenique. São eles que assinam o relatório médico entregue pela defesa para Moraes na última sexta (21) para solicitar manutenção de prisão domiciliar no caso da trama golpista – pedido anterior à prisão preventiva.
Em outubro, Moraes autorizou, a pedido da defesa do ex-presidente, a inclusão da endocrinologista Marina Pasolini na lista de médicos autorizados a atender Bolsonaro em sua casa, onde cumpria prisão domiciliar, para ajudar no tratamento multidisciplinar diante da piora dos soluços.
Marina é gaúcha, e atua em Brasília desde 2019. No seu Linkedin, ela se apresenta como especialista em emagrecimento e obesidade.
No sábado da prisão preventiva de Bolsonaro, ela foi visitá-lo na Superintendência da PF (Polícia Federal). Moraes autorizou a ida de médicos e advogados ao local, sem necessidade de autorização prévia. Echenique e Birolini, que estiveram com o ex-presidente neste domingo, não conheciam a médica.
O ex-presidente estava em regime domiciliar desde 4 de agosto e foi levado pela PF após a decretação da prisão por Moraes, relator do processo no STF, sob justificativa de garantia da ordem pública.
Risco de fuga e medo de desordem pública; Veja repercussão internacional da prisão de Bolsonaro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Veículos internacionais repercutiram a prisão de Jair Bolsonaro (PL), 70, na manhã deste sábado (22), em Brasília. A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-presidente na reta final do processo da trama golpista.
Jornais dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Reino Unido e França destacam a suspeita de fuga e os detalhes do julgamento contra Bolsonaro. Veja abaixo o que dizem alguns dos principais veículos internacionais.
*
THE WASHINGTON POST
O jornal americano reportou a prisão “em meio a temores de distúrbios públicos”. O veículo destacou que o “aliado de Trump” foi condenado por tentativa de golpe militar depois de perder a eleição em 2022.
THE GUARDIAN
“Polícia brasileira prende Bolsonaro em meio a suspeitas de que ele estava prestes a fugir”, foi a publicação do jornal britânico The Guardian. O veículo classifica o ex-presidente de “extrema direita” ao citar sua potencial fuga a uma embaixada estrangeira.
DIE ZEIT
O veículo alemão Die Zeit destacou a condenação “a mais de 27 anos de prisão” de Bolsonaro, no caso da trama golpista, e ainda pontuou os “mais de 100 dias de prisão domiciliar” sob a qual estava o ex-presidente.
LA REPUBBLICA
O italiano la Repubblica também destaca a potencial fuga que motivou a prisão preventiva, além de pontuar sua prisão domiciliar decretada “após violar medidas cautelares durante seu julgamento por tentativas de golpe de Estado”.
SÜDDEUTSCHE ZEITUNG
O também alemão Süddeutsche Zeitung ressaltou que Bolsonaro “deveria começar a cumprir a pena somente nas próximas semanas”, mas foi preso preventivamente devido ao elevado risco de fuga.
LE MONDE
Na sua versão em inglês, o jornal francês Le Monde noticia a prisão de Bolsonaro a partir do risco de fuga e destaca ter acontecido “dias antes de começar a cumprir a pena de 27 anos por uma tentativa de golpe de Estado”.
CLARÍN
O jornal argentino Clarín afirma incorretamente que o ex-presidente começou a cumprir sua pena, quando na verdade trata-se de uma prisão preventiva devido ao risco de fuga, segundo o ministro Alexandre de Moraes, do STF
Bolsonaristas viajam a Brasília, falam em injustiça com prisão e ironizam coincidência com dia 22
MARIANNA HOLANDA E MÔNICA BERGAMO, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aliados e apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) lamentaram a prisão do ex-presidente, falaram em injustiça e ironizaram a coincidência da data da prisão, neste sábado (22), com o número de urna do PL.
Congressistas estão se dirigindo para Brasília, onde deve haver alguma mobilização política em favor do ex-presidente.
Bolsonaro foi preso preventivamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na reta final do processo da trama golpista.
O ex-presidente estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto e foi levado pela PF (Polícia Federal), sob justificativa de garantia da ordem pública. Uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho dele, para a noite deste sábado, motivou a decisão.
“Hoje, dia 22, número do nosso partido, Alexandre de Moraes, no seu mais alto grau de psicopatia, manda prendê-lo preventivamente, porque seu filho Flávio Bolsonaro convocou vigília de oração para hoje à noite. Estamos vivendo o maior capítulo de perseguição política da história do país”, disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
A referência ao número de urna do PL é repetida por apoiadores nas redes sociais como argumento de uma suposta perseguição por parte do ministro do STF. Em 2022, Moraes, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aplicou à legenda uma multa de R$ 22.991.544,60 por litigância de má-fé, por terem entrado com uma ação questionando o resultado das eleições.
A fala de Sóstenes foi gravada de dentro do avião, onde segue para a capital federal.
“Nós, da oposição, estamos nos deslocando imediatamente a Brasília, eu incluso, para acompanhar de perto este momento sombrio e para prestar todo o apoio possível ao presidente Bolsonaro e à sua família. Não ficaremos calados”, disse o líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS).
“Não aceitaremos que o Brasil seja transformado em um país onde a vingança política suplanta a lei, onde decisões monocráticas se sobrepõem às garantias constitucionais, e onde opositores são tratados como inimigos”, continuou.
Já o deputado André Fernandes (PL-CE) disse que está se dirigindo a Brasília para prestar apoio e participar de manifestações. “Que os senadores façam o mesmo, pois só eles podem parar o assassino do Clezão, Moraes”.
O líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN), disse que a decisão de Moraes ultrapassa limites constitucionais e ameaça pilares essenciais do Estado de Direito. “O alerta aqui é institucional e histórico: quando o Direito é moldado para atingir um adversário político, deixa de proteger toda a sociedade. E quando a lei deixa de conter abusos, ela se converte em instrumento do próprio abuso”, afirmou.
Ex-assessor e ministro de Jair Bolsonaro (PL), Fábio Wajngarten relembrou o histórico de problemas de saúde para reforçar que ele não poderia ter deixado a prisão domiciliar. A defesa do ex-presidente protocolou, na sexta (21), pedido para manutenção de Bolsonaro em casa, dizendo haver “risco à vida”.
“Por muitas vezes durante o dia o presidente fica sem respirar, podendo levar a consequências piores. Não foi suficiente para que nenhum ministro nem a corte se sensibilizasse com essa situação”, disse Wajngarten.
“É uma mancha terrível nas instituições, vergonha, e eu espero que num futuro bem próximo, isso seja revisto e o Brasil retorne ao seu caminho civilizatório”, completou.
Jair Bolsonaro é preso pela Policia Federal preventivamente na reta final de processo da trama golpista
A Polícia Federal prendeu preventivamente Jair Bolsonaro (PL) na manhã deste sábado (22), em Brasília, na reta final do processo da trama golpista.
O ex-presidente estava em regime domiciliar e foi levado pela PF após a decretação da preventiva, sob justificativa de garantia da ordem pública.
Uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho dele, para a noite deste sábado, motivou a decisão.
Em nota, a PF disse que cumpriu mandado de prisão preventiva por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que tem Alexandre de Moraes como relator do processo.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Na sexta (21), a defesa pediu ao STF que o ex-presidente fosse mantido em prisão domiciliar.
Na petição, feita ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, os advogados enumeraram os problemas de saúde de Bolsonaro e falaram em “risco à vida”. Eles pediam que o ex-presidente fosse mantido em casa, onde já cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto.
Moraes cita risco de Bolsonaro fugir para embaixada dos EUA e violação de tornozeleira na madrugada
MARIANNA HOLANDA, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), apontou o risco de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao determinar sua prisão preventiva neste sábado (22).
Segundo o ministro, a tornozeleira eletrônica que Bolsonaro usa desde julho deste ano foi violada no início da madrugada.
Moraes afirma que este seria um indício de que o ex-presidente poderia fugir, aproveitando o que seria uma movimentação diante do condomínio em que ele vive, durante uma vigília convocada por um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025”, afirma Moraes na decisão que determinou a prisão preventiva.
“A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, acrescenta o ministro.
Moraes diz também que Bolsonaro poderia buscar abrigo na embaixada dos EUA para evitar sua prisão, dias antes do fim do processo da trama golpista e início do cumprimento de sua pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
“Importante destacar, ainda, que o condomínio do réu está localizado a cerca de 13 km (treze quilômetros) do Setor de Embaixadas Sul de Brasília/DF, onde fica localizada a embaixada dos Estados Unidos da América, em uma distância que pode ser percorrida em cerca de 15 (quinze) minutos de carro”, diz Moraes.
O ministro afirma ainda que Bolsonaro teria planejado uma “fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país”, em referência a um pedido de asilo que teria sido encontrado no celular do ex-presidente durante uma operação da PF.
A ordem de prisão assinada por Moraes aponta a realização da vigília convocada por Flávio como ponto central da determinação. No pedido enviado ao STF, a Polícia Federal chega a comparar o ato a protestos realizados por bolsonaristas após a derrota nas eleições de 2022.
“O senador da República faz uso do mesmo modus operandi empregado pela organização criminosa que tentou um golpe de Estado no ano de 2022, utilizando a metodologia da milicia digital para disseminar por múltiplos canais mensagens de ataque e ódio contra as instituições”, afirma.
Segundo a PF, “o tumulto nos arredores da residência do condenado, poderá criar um ambiente propício para sua fuga, frustrando a aplicação da lei penal”.
Na decisão, Moraes também manifesta contrariedade com a saída do país de investigados e réus da trama golpista. Ele cita os casos de Alexandre Ramagem (deputado e ex-diretor da Abin, condenado no processo e que está nos EUA), Carla Zambelli (condenada pelo STF que está presa na Itália) e Eduardo Bolsonaro (réu no STF, que está nos EUA).
O ministro afirma que os três “também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”.
“A repetição do modus operandi da convocação de apoiadores, com o objetivo de causar tumulto para a efetivação de interesses pessoais criminosos; a possibilidade de tentativa de fuga para alguma das embaixadas próxima à residência do réu; e a reiterada conduta de evasão do território nacional praticada por corréu, aliada política e familiar evidenciam o elevado risco de fuga de Jair Messias Bolsonaro”, conclui Moraes.
A Polícia Federal prendeu Bolsonaro preventivamente na manhã deste sábado (22), em Brasília, na reta final do processo da trama golpista.
O ex-presidente estava em regime domiciliar desde 4 de agosto e foi levado pela PF após a decretação da prisão preventiva, sob justificativa de garantia da ordem pública. A vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro para a noite deste sábado, motivou a decisão.
Em nota, a PF disse que cumpriu mandado de prisão preventiva por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), que tem Alexandre de Moraes como relator do processo.
A PF chegou à casa de Bolsonaro por volta das 6h, em comboio com ao menos cinco carros. O ex-presidente foi levado cerca de 20 minutos depois para a Superintendência da PF, onde ficará preso.
A defesa do ex-presidente foi procurada, mas ainda não comentou. Segundo aliados, Bolsonaro estava soluçando, mas sereno quando foi preso.
Moraes determinou que prisão de Bolsonaro fosse sem algemas nem exposição midiática
MARIANNA HOLANDA, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal não usasse algemas nem expusesse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à mídia ao cumprir o mandado de prisão contra ele neste sábado (22).
Moraes também deixou a critério dos policiais encarregados do cumprimento do mandado o uso de armas e uniformes da corporação, orientando ainda os agentes a respeitarem a dignidade do ex-presidente.
“A autoridade policial responsável deverá cumprir o mandado no dia 22/11/2025, no período da manhã, observando que a medida deverá ser cumprida com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática, ficando a seu critério a utilização ou não de uniformes e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”, diz trecho do mandado de prisão.
O ex-presidente estava em regime domiciliar desde 4 de agosto e foi levado pela PF após a decretação da prisão preventiva, sob a justificativa de garantia da ordem pública. Uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho dele, para a noite deste sábado motivou a decisão.
A PF chegou à casa de Bolsonaro por volta das 6h, em comboio com ao menos cinco carros. O ex-presidente foi levado cerca de 20 minutos depois para a Superintendência da PF, onde ficará preso.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

