Brasil - Brasília - Distrito Federal - 11 de janeiro de 2025
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Se tiver filho meu metido nisso será investigado, diz Lula sobre desvios do INSS

Se tiver filho meu metido nisso será investigado, diz Lula sobre apuração sobre desvios do INSS

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LUCAS MARCHESINI. BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que caso seu filho estiver envolvido nas fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) , ele será investigado. Ele foi questionado sobre possíveis ligações de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, com o Careca do INSS, que é um dos principais alvos de investigação da PF que apura fraudes nos descontos associativos do INSS.

“Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade vai ser investigado”, afirmou.

“Não é possível admitir em país que milhões de aposentados ganham salário mínimo alguém tentando expropriar dinheiro de aposentado com promessas falsas. O que eu posso dizer é que naquilo que depender da Presidência da República tudo será feito para que a gente dê lição para esse país”, continuou.

A investigação da PF teve uma nova operação nesta quinta-feira (18). Ela fez buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta quinta em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

Weverton é líder do PDT no Senado e um dos vice-líderes do governo.

Ele entrou na mira de integrantes da CPI do INSS, que investiga os desvios nos benefícios, depois que pessoas ligadas a ele apareceram nas investigações sobre o esquema de fraudes.

O escândalo do INSS foi uma das principais crises do governo neste ano, e levou Lula a demitir Carlos Lupi do Ministério da Previdência.

A ação também prendeu o secretário-executivo do ministério, Adroaldo da Cunha Portal, que já foi assessor de Weverton. Ele ficará preso preventivamente em regime domiciliar.

O atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, comunicou que determinou a exoneração de Adroaldo após a operação. O procurador-federal Felipe Cavalcante e Silva, atual consultor jurídico do ministério, assumirá a função de secretário-executivo.A casa de Weverton em Brasília é um dos endereços de busca e apreensão. Não houve ações no gabinete do parlamentar no Senado.

A assessoria da pasta também afirmou que o órgão e o INSS “permanecerão contribuindo ativamente com as investigações e atuando para recuperar os recursos desviados por esse esquema que começou no governo anterior, mas foi interrompido neste governo”.

Acusado de ser um dos operadores do esquema, Antunes declarou à CPI do INSS que foi a um churrasco de costela na casa do senador, quando teria falado com ele sobre a regulação da venda de derivados de cannabis -ou seja, uma atividade de representação empresarial sem ligação com descontos em aposentadorias.Weverton também é o relator da sabatina de Jorge Messias, indicado de Lula ao STF (Supremo Tribunal Federal), no Senado.

A aprovação de Messias para o cargo depende da avaliação dos senadores, e a figura de Weverton era relevante para a articulação do governo na sabatina.

O senador foi uma ponte de Lula com o Congresso neste caso, uma vez que a relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) estava estremecida com a indicação do advogado. A opção de Alcolumbre, com apoio de outros parlamentares, era Rodrigo Pacheco (PSD-MG), descartado por Lula.

Ex-nº2 na Previdência movimentou R$ 250 mil em dinheiro e apareceu em planilha de Careca do INSS

THAÍSA OLIVEIRA, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A investigação sobre os descontos ilegais no INSS aponta movimentações suspeitas de R$ 250 mil em dinheiro por parte de Adroaldo Portal, número dois do Ministério da Previdência até esta quinta-feira (18). O ex-secretário-executivo também aparece em uma planilha do Careca do INSS.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Adroaldo.

A decisão que autorizou a operação que levou à prisão de Adroaldo cita também o filho dele, Eduardo Silva Portal, ajudante parlamentar do senador Weverton Rocha (PDT-MA) desde 13 de junho de 2023.

Segundo a PF, houve créditos por meio de depósitos em espécie no valor de R$ 249.900 a favor de Adroaldo em um intervalo de pouco mais de quatro meses.

A investigação afirma que Eduardo depositou R$ 99.900 em espécie em uma conta do pai em 23 de outubro de 2023. Cerca de um mês depois, em 27 de novembro de 2023, Adroaldo fez um depósito de R$ 100 mil em uma conta dele próprio. Eduardo fez um segundo depósito para o pai no valor de R$ 50 mil em 29 de janeiro de 2024.

Além disso, em um arquivo sobre supostos registros de propina apreendido na casa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, aparece o valor de R$ 50 mil em favor de “Adro” -uma abreviação, de acordo com os investigadores, de Adroaldo.

“Em um disco rígido apreendido na casa de Antônio Carlos no dia 23/04/2025, há diversas planilhas com o controle de movimentação financeira de associações e de empresas do próprio investigado Antônio Carlos além de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas. Dentre os registros de pagamento de propina, há um no valor de 50 mil reais em favor de ‘Adro”, diz trecho da decisão.

Adroaldo foi preso preventivamente em regime domiciliar nesta quinta. A pedido da Polícia Federal, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso, também decidiu que ele tenha o passaporte recolhido e seja impedido de deixar o país.

O ministro havia determinado que Adroaldo fosse afastado das funções. Após a operação, ele foi exonerado pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz (PDT). Por decisão de Mendonça, Adroaldo também está impedido de entrar no ministério e de manter contato com os empregados.

Adroaldo foi assessor de Weverton entre 2019 e 2023. Ele ingressou no governo Lula (PT) ainda na gestão de Carlos Lupi (PDT), em março de 2023, como secretário do Regime Geral de Previdência Social. Em maio deste ano, foi alçado a secretário-executivo, com a saída de Lupi e a chegada de Wolney.

Amiga de Lulinha recebeu R$ 300 mil de Careca do INSS para ‘filho do rapaz’

JOSÉ MARQUES, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal investiga um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a uma empresária que é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente Lula (PT).

Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da operação Sem Desconto, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela nesse valor a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria e Intermediações.

O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Luchsinger. A PF tenta identificar se o Careca do INSS se referia a Fábio Luís.

A empresa RL Consultoria tem entre seus sócios a empresária Roberta Moreira Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão no bairro de Higienópolis, em São Paulo, e é próxima ao filho do presidente.

Em uma troca de mensagens com Antunes em abril desse ano, Roberta afirma que “acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. Ele responde, “PUTZ”, e ela acrescenta: “Antônio, some com esses telefones. Joga fora”.

Segundo a PF, alguns dias depois, em maio, Roberta envia um áudio para o Careca tentando tranquilizá-lo com o seguinte teor: “Na época do Fábio falaram de Friboi, de um monte de coisa o [sic] maior… igual agora com você”.

Roberta é herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse , o suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, que era seu avô, segundo a coluna de Mônica Bergamo. Ela foi também casada com o ex-delegado da PF Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha.

Em 2017, ela anunciou que faria uma doação milionária a Lula, que estava sendo investigado pela Operação Lava Jato.

A defesa de Roberta afirma que as transferências não têm qualquer relação com o INSS, mas sim com um projeto de canabidiol que desenvolvia com o lobista.

Em nota, a defesa diz que “Roberta Luchsinger e sua empresa atuam com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

Também afirma que os negócios que mantiveram foram apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar e que essas tratativas aconteceram em momentos anteriores às revelações dos desvios de descontos do INSS.

Lulinha não é investigado formalmente no caso e não contratou advogados, mas em ações no passado foi representado por Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, que se manifestou em nome do filho do presidente.

Ele diz que Lulinha não é alvo e que as citações referidas na investigação “são absolutórias”.

“Uma das investigadas diz de forma categórica que o Lulinha, uma vez mais, é alvo de mentiras e vilanias, como foi no passado em relação à suposta sociedade que mantinha com a empresa Friboi. A própria história já se encarregou de desmentir”, diz Marco Aurélio.

“Quanto à citação do termo ‘filho do rapaz’, seguramente não está se referindo a Fábio Luís. Ele pode ser ‘filho do cara’, segundo [Barack] Obama, ou eventualmente de um senhor de mais de 80 anos de idade que atualmente preside o país.”
Segundo ele, a operação é prova de que “a Polícia Federal e as demais instituições do Estado brasileiro foram devolvidas pelo presidente Lula ao povo brasileiro. Não buscam proteger aliados e perseguir adversários”.

A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes não se manifestou sobre a operação.

Em entrevista nesta quinta, o presidente Lula foi questionado sobre o tema. Ele disse que “ninguém ficará livre” de investigação, se estiver envolvido.

“Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade vai ser investigado”, afirmou.

A PF fez buscas e prisões nesta quinta-feira (18), em uma nova fase da Operação Sem Desconto. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Os investigadores cumpriram 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. A ação da PF e da CGU (Controladoria-Geral da União) foi autorizada por Mendonça.

Relator diz que Weverton Rocha tem de depor à CPI do INSS após operação da PF

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga descontos irregulares em benefícios previdenciários, disse à Folha de S.Paulo que o colegiado precisa colher o depoimento do senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de operação da PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (18).

“Tem que prestar depoimento. [Sobre] Weverton tinha pedido, mas falta pautar”, declarou Gaspar. O pedido a que ele se refere é um requerimento que a CPI precisa aprovar para levar o senador a depor, um procedimento é necessário para quase todos os movimentos de uma comissão do tipo.

O deputado também mencionou outro dos alvos da operação, Adroaldo da Cunha Portal. Adroaldo foi assessor de Weverton e era secretário-executivo do Ministério da Previdência até a operação da PF -em seguida, o ministro Wolney Queiroz determinou sua exoneração. O investigado ficará preso preventivamente em regime domiciliar.

Alfredo Gaspar disse que também é necessário ouvir Adroaldo, mas que aliados do governo o blindaram do requerimento para depor.

Líder do PDT no Senado e um dos vice-líderes do governo Lula (PT), Weverton está no centro da operação desta quinta. O senador entrou na mira de integrantes da CPI do INSS depois que pessoas ligadas a ele apareceram nas investigações sobre o esquema de fraudes.

A casa de Weverton em Brasília é um dos endereços de busca e apreensão. Não houve ações no gabinete do parlamentar no Senado.

O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores do esquema de descontos irregulares, declarou à CPI que foi a um churrasco de costela na casa do senador, quando teria falado com ele sobre a regulação da venda de derivados de cannabis -ou seja, uma atividade de representação empresarial sem ligação com descontos em aposentadorias.

“O senador Weverton Rocha informa que recebeu com surpresa a busca na sua residência, e com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão”, afirmou o congressista em nota.

O Careca do INSS também disse que esteve no gabinete do senador em outras ocasiões, mas que não conversou com o político. O interlocutor teria sido Adroaldo, que na época trabalhava no gabinete de Weverton. A visita também teria sido para tratar sobre o mercado de cannabis
Diante das suspeitas sobre o envolvimento de Weverton, a CPI requisitou ao Senado a lista de gabinetes visitados por Antunes. A relação nunca foi tornada pública porque a Advocacia do Senado elaborou um parecer alegando se tratar de informação sigilosa.

Um ex-assessor de Weverton também apareceu nas apurações. Gustavo Gaspar teria assinado uma procuração de movimentação de contas bancárias e entregado para Rubens Oliveira, apontado como um operador dos descontos irregulares.

A operação desta quinta também prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS. Antunes pai está preso desde setembro e a defesa dele diz que ele é inocente.

A ação, autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, inclui 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. A CGU também participa das investigações.

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